"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

sábado, 30 de dezembro de 2017

Calendário paroquial 2017 – Paróquia de Santo Afonso (Fortaleza – Ceará)

 Os principais eventos da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório, em Fortaleza – Ceará, organizados pelos movimentos e pastorais  para o ano de 2017.

















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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Livro: Rezar com Dom Helder

Pe. Geovane Saraiva lançou seu novo livro,  na Comunidade da Cruz Missionária,
 após a missa do setor 7,  no dia de seu aniversário, 30/10/2015,
Parquelândia - Fortaleza - CE.
A lavra literária do pároco de Santo Afonso, na sua nona  obra.
Nosso novo livro já se encontra na Paróquia Santo Afonso, 
Avenida Jovita Feitosa, 2733 - Cep. 60455-410, 
telefone (85) 32238785 - Parquelândia, Fortaleza - CE.
 Nosso muito obrigado e forte abraço!


Pe. Geovane Saraiva com Dom Helder, na Catedral de Brasília,
 em julho de 1980, aguardando o Papa João Paulo II.


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sábado, 30 de setembro de 2017

A gramática do povo de Deus

Padre Geovane Saraiva*
Pe. Geovane Saraiva
O mês de setembro chega ao seu final, mas o ensinamento da Bíblia, gramática, ou enciclopédia do povo de Deus, não para, porque, de modo correto, orienta homens e mulheres, nas diversidades de dons, talentos, carismas e funções. É a salvação que nos é oferecida, e não é um merecimento das pessoas, mas entendida como dom e graça de Deus. Experimentamo-la a partir da Palavra de Deus, que é eterna, além de ser viva e eficaz. A Bíblia deixa claro aos cristãos, que querem guardar a Palavra de Deus na mente e no coração, que Deus quer uma única coisa: a dignidade de filhos de Deus.

O grande especialista da Palavra de Deus, São Jerônimo, comemorado aos 30 de setembro, que viveu entre os anos de 342 e 420, numa época bem distante da nossa, quer mostrar a força da Palavra de Deus. Toda a sua vida foi doada ao estudo da Sagrada Escritura, sendo São Jerônimo considerado o maior e melhor exegeta de todos os tempos. A Igreja Católica o reconheceu como homem eleito por Deus para explicar e fazer compreender, do melhor modo, a Palavra de Deus. Daí tê-lo por doutor e especialista do Livro Sagrado, de um modo imbatível e inigualável.

São Jerônimo estudou hebraico e aperfeiçoou seus conhecimentos do grego, para poder compreender melhor a Palavra de Deus nas línguas originais. Em Roma recebeu a missão do Papa Dâmaso para escrever a Bíblia em latim, graças ao conhecimento que tinha do grego e do hebraico. O Papa queria uma tradução mais fiel, em tudo, aos textos originais, traduzida e apresentada em latim, que pudesse servir de texto uniforme na liturgia da Igreja, evitando, de uma vez por todas, desencontros, embaraços e confusões. Que os seguidores de Jesus de Nazaré sejam provocados pela Palavra de Deus, na indispensável tarefa de instaurar o Reino de Deus, que é dom e graça de Deus.

São Jerônimo, servo bom e fiel, iniciou seu trabalho em Roma e continuou por toda a sua vida. É importante salientar que ele passou seus últimos 35 anos de vida em oração e penitência, fazendo de tudo, mas de tudo mesmo, pela difusão da Escritura Sagrada. Guardemos o ensinamento tão bíblico, quanto inclusivo do Papa Francisco, no Ângelus de 24/09/2017: "O Senhor usa misericórdia, perdoa amplamente, é cheio de generosidade e bondade que derrama sobre cada um de nós, abre a todos os territórios ilimitados de seu amor e de sua graça, que somente podem dar ao coração humano". Amém!

*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com
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Livraria Saraiva: Voz Dos Que Não Têm Voz e Francisco, Um Sinal Para o Mundo


O livro 'Voz Dos Que Não Têm Voz', do Padre Geovane Saraiva, expõe e elucida, à luz do Evangelho inúmeros gestos e atitudes de amor do Papa Francisco em prol da humanidade, colocando-a em um patamar bem elevado, estimulando o encanto de nossa sensibilidade e liberdade de sonhar. Muitos seres humanos se encontram às margens da sociedade, são os últimos dos últimos dentro de nossa sociedade. Ao longo desses dois anos de pontificado, o Romano Pontífice demonstrou com atitudes concretas seu amor e apreço pelos empobrecidos, os quais ocupam últimos lugares. Neste livro, com muita habilidade o Padre Geovane destaca e esclarece à luz do Evangelho inúmeros gestos de amor do Santo Padre em favor da humanidade. Sonhar jamais foi proibido e com este livro, ‘Voz dos que não têm voz’, somos convidados a caminhar na direção do grande sonho de Santo Agostinho, na busca da cidade celestial: 'Dois amores fundaram duas cidades, a saber: O amor próprio, levado ao desprezo a Deus, a terrena e o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial'.


Saraiva, Geovane

Francisco Geovane Saraiva Costa


https://www.saraiva.com.br/voz-dos-que-nao-tem-voz-8757567.html?mi=VITRINECHAORDIC_frequentlyboughttogether_product_8757567


Francisco, Um Sinal Para o Mundo (Cód: 8757484)



Inesgotável e rica a abordagem do Padre Geovane a respeito de Jorge Mário Bergoglio, o novo Sumo Pontífice que vem evangelizando com sua palavra transformadora, sacudindo a Igreja que parecia adormecida. Padre Geovane no alvor de sua juventude surge como autêntico blogueiro e pastor das letras. É um escritor de escol, moderno que, sempre atento à sua missão de divulgar a boa nova, traz a lume seu sétimo livro, desta vez enfocando esse fato histórico em que o novo representante de Cristo na terra vem dia a dia impressionando os adeptos dos mais diversos credos com sua linguagem de amor, compreensão, harmonia entre os povos de boa vontade. O título escolhido é muito susgestivo: Francisco, um Sinal para o Mundo. De modo geral, quem ama e se esforça para viver o Evangelho, está feliz e encantada com o testemunho do Papa Francisco. Rezamos para que Deus o mantenha assim neste caminho de esperança renascido no mundo, de renovação e transformação.

Saraiva, Geovane

Francisco Geovane Saraiva Costa

https://www.saraiva.com.br/francisco-um-sinal-para-o-mundo-8757484.html

Dom Helder - Sonhos e Utopias (Cód: 8814709)

Com o belo livro, 'Dom Helder - Sonhos e utopias”, sobre o artífice da paz, o homem dos grandes sonhos e utopias, outro cavaleiro andante, o leitor vai perceber em Dom Helder Câmara a mina de ouro que precisa ser sempre e cada vez mais explorada, como um dom maravilhoso de Deus. Vida de uma beleza, que podemos dizer, inigualável, nos seus gestos raríssimos em favor da vida, mas a vida repleta de encantos! Ao assumir a Arquidiocese de Olinda e Recife em abril de 1964, disse: “Quem estiver sofrendo, no corpo ou na alma; quem, pobre ou rico, estiver desesperado, terá lugar no coração do bispo”. Dos pensamentos do Pastor dos empobrecidos: “Das barreiras a romper, a que mais custa, e a que mais importa é, sem dúvida, a barreira da mediocridade'; 'Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como a minha sombra'. Palavras do teólogo José Comblin: “Sou daqueles que tem a convicção de que os escritos de Dom Helder ainda serão fonte de inspiração na América Latina, daqui a mil anos”.

Saraiva, Geovane

Francisco Geovane Saraiva Costa



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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Pe. Geovane Saraiva na Revista digital mais completa do Brasil

http://domtotal.com/noticia/1176309/2017/08/tesouro-maior/








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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Noivo herói: ele abandonou sessão de fotos para salvar criança de afogamento

  Facebook - profiles | Set 25, 2017
Andrew Higgins
Fotógrafo capturou o momento em que o esposo pulou no rio para resgatar um menino

O casamento de Clayton e Brittany Cook viralizou nas redes sociais como se fosse o de uma celebridade. Mas estes dois canadenses tinham acabado de celebrar seu matrimônio na cidade de Cambridge, sem qualquer alvoroço. Logo depois da cerimônia, segundo informações de CTV News, o casal seguiu para um parque local, onde realizariam uma sessão especial de fotos.
Enquanto o fotógrafo fazia imagens da noiva, eles foram surpreendidos pelo grito de uma criança vindo do rio que cruza o parque. O esposo, Clayton, correu e se jogou no rio para resgatar o menino. O fotógrafo consegui capturar o momento em que o noivo herói resgatou a criança.

https://pt.aleteia.org/2017/09/25/noivo-heroi-ele-abandonou-sessao-de-fotos-para-salvar-crianca-de-afogamento/

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Inacreditáveis mosteiros no alto de pináculos (e vistos por um drone)

  Daniel R. Esparza | Set 25, 2017
Creative Commons / Flickr

O espetacular complexo arquitetônico de Metéora

Localizados na região norte da Grécia e construídos em pináculos de pedra arenosa na planície da Tessália, quatro dos seis mosteiros de Metéora, da tradição cristã ortodoxa oriental grega, ainda são o lar de comunidades religiosas que começaram a habitá-los no século XIV.

A palavra “Metéora” significa algo como o “alto dos céus” – e o nome é altamente apropriado para esse complexo inacreditável de mosteiros elevados por sobre o vale do rio Pinios.

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Declarados patrimônio mundial pela UNESCO em 1988, os mosteiros de Metéora foram construídos em tempos de grande instabilidade política e forte perseguição – por isso é que o acesso a eles foi planejado para ser o mais difícil possível. Aliás, só recentemente foi esculpida na rocha uma série de degraus, porque, antes, era preciso escalar as incríveis torres de rocha usando escadas de cordas ou apelando para cestas puxadas por um sistema básico de polias.

Este vídeo compartilhado pela World & Drone nos leva a contemplar a surpreendente maravilha dos mosteiros de Metéora sem precisarmos nem de cordas, nem de polias, nem de degraus. Certamente passa longe de ser a mesma coisa de vê-los ao vivo, mas não deixa de ser um aperitivo espetacular. Boa viagem!

https://pt.aleteia.org/2017/09/25/inacreditaveis-mosteiros-no-alto-de-pinaculos-e-vistos-por-um-drone/
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Papa: trabalhar na lógica da gratuidade e serviço

 domtotal.com
O Papa Francisco recebeu em audiência, na Sala do Consistório, nesta segunda-feira (25/09), no Vaticano, cinquenta benfeitores da Fundação da Guarda Suíça Pontifícia. 

O encontro com o Pontífice realizou-se por ocasião da inauguração oficial da nova sede operacional da Guarda Suíça Pontifícia à qual contribuíram generosamente os membros da fundação que  oferecem apoio econômico, material e técnico à Guarda Suíça.

“Agradeço-lhes por esta visita que se realiza no dia em que vocês celebram o seu Padroeiro São Nicolau de Flüe, no sexto centenário de nascimento. Ao mesmo tempo, agradeço-lhes também pela atenção dada ao benemérito Corpo da Guarda Suíça e pela colaboração profícua instaurada com o Comando e as competentes autoridades vaticanas”, frisou o Papa.

“Ao desempenhar suas atividades, vocês manifestam o espírito comunitário e solidário, típico da presença dos católicos na sociedade. Esse comportamento afunda suas raízes no chamado evangélico do amor ao próximo e ajuda a superar as diferenças e as tensões sociais entre os vários grupos. Através dessa obra, vocês testemunham concretamente os ideais do Evangelho e são exemplo de fraternidade e partilha no tecido social suíço.”

O Papa disse ainda aos benfeitores da Fundação da Guarda Suíça Pontifícia que “o amor ao próximo corresponde ao mandato e ao exemplo de Cristo se estiver arraigado no verdadeiro amor a Deus. É possível para o cristão, através de sua dedicação, fazer os outros experimentar a ternura providente do Pai celestial. Para doar amor aos irmãos, é necessário retirá-lo da fornalha da caridade divina, através da oração, da escuta da Palavra de Deus e do nutrimento da santa Eucaristia. Com essas referências espirituais é possível trabalhar na lógica da gratuidade e do serviço.”

Francisco agradeceu a fundação por tudo o que faz pelos jovens suíços que dedicam alguns anos de suas vidas a serviço da Igreja e da Santa Sé. O Pontífice reiterou que a presença discreta, profissional e generosa dos benfeitores é preciosa e útil para o bom seguimento das atividades do Vaticano.

O Papa pediu à Virgem Maria e a São Nicolau de Flüe para protegerem todos os membros da fundação e suas famílias, e que os torne cada vez mais testemunhas da fé e da bondade. 


Rádio Vaticano
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Como Angela Merkel e o Papa Francisco estão refazendo o mundo

domtotal.com
O Papa e a chanceler querem uma globalização mais "humana". Mas isso poderia resultar em uma explosão.
Nas fotografias, os dois líderes parecem ter um relacionamento excepcionalmente próximo, Merkel ainda falou sobre seus valores compartilhados.
Nas fotografias, os dois líderes parecem ter um relacionamento excepcionalmente próximo, Merkel ainda falou sobre seus valores compartilhados. (CNS / Gregorio Borgia, pool via Reuters)
Por Padre Edmund Waldstein*

Quando os alemães se apresentarem às eleições neste domingo (24), é provável que reelejam Ângela Merkel como chanceler, cargo que ocupa desde o ano 2005. A vitória esperada de Merkel será ainda mais notável, dado que a recente reviravolta populista contra a ordem económica, social e política, da qual seus simpatizantes tendem a vê-la como sua principal inimiga. Muitos haviam pensado que não iria sobreviver à raiva pelo seu tratamento e políticas frente à crise dos refugiados.

Para seus inimigos, Merkel é a líder de um establishment, ou ordem política europeia tecnocrática e global que perdeu contato com as preocupações das pessoas comuns, uma ordem política que impõe medidas de austeridade em países mais fracos e está prejudicando a particularidade das culturas nacionais através do incentivo à migração em massa.

Entre os cristãos, as atitudes em relação a Merkel divergem. O primeiro-ministro protestante e conservador da Hungria, Viktor Orbán, é um dos seus adversários mais determinados.

Ele vê sua resistência ao programa político da Merkel como enraizado em suas convicções cristãs. Orbán representa uma Europa de estados-nação cristãos que preservam suas culturas tradicionais e sua independência econômica. Merkel representa uma Europa de multiculturalismo, integrada numa economia globalizada com uma divisão de trabalho transnacional.

Mas há cristãos que admiram Merkel como defensora da solidariedade e da dignidade humana contra populistas e políticos de temer. De longe, o mais importante é o Papa Francisco. Nas fotografias, os dois líderes parecem ter um relacionamento excepcionalmente próximo, Merkel ainda falou sobre seus valores compartilhados. Em junho, por exemplo, ela disse que o Papa "me encorajou a continuar e lutar por acordos internacionais, incluindo o acordo de Paris [clima]".

Este vínculo pode parecer surpreendente, já que o Santo Padre é um adversário feroz do que ele chama de "globalização do paradigma tecnocrático". Mas ele admira Merkel porque está convencido de que ela não é a globalização sinistra que seus críticos afirmam.

Ele pode ver em seu programa um compromisso com um objetivo que o Vaticano compartilhou há muito tempo: promover uma forma de globalização mais humana, conforme descrito na encíclica do Papa Paulo VI Populorum Progressio.

A plataforma política de Merkel é uma mistura complexa de diferentes elementos. Seu partido político, a União Democrata Cristã (CDU), foi fundada na Alemanha Ocidental após a Segunda Guerra Mundial. Muitos dos fundadores tinham sido membros do Partido do Centro Católico antes da guerra. A CDU, no entanto, deveria unir os católicos e os protestantes, a fim de formar um consenso entre pessoas de boa vontade na defesa dos direitos humanos, assegurando que não haveria repetição dos horrores totalitários do Terceiro Reich.

Isso era típico dos partidos cristãos democratas nesse período. Enquanto antigos políticos católicos tinham esperado que os Estados reconhecessem novamente a Realeza de Cristo na Sociedade, os políticos da pós-guerra, sob a influência de pensadores como o filósofo católico Jacques Maritain, acreditavam que o caminho a seguir seria democracias pluralistas, com base em um consenso sobre a lei natural, parcialmente inspirada pelo entendimento cristão da pessoa, mas não sendo elas próprias explicitamente cristãs. A paz entre essas democracias seria promovida pela interdependência econômica e social e pela ruptura das barreiras.

Essas ideias tiveram uma influência importante no Concílio Vaticano II e foram sistematicamente promovidas pela diplomacia vaticana, especialmente depois que Paulo VI, um admirador de Maritain, tornou-se Papa.

Em uma entrevista em 2010, Merkel explicou sua visão das três principais raízes do programa de seu partido: o conservadorismo, o liberalismo e a riqueza da doutrina social cristã. Por "conservadorismo", Merkel quis dizer uma vontade de defender a liberdade e a paz por meios militares. Por "liberalismo", uma economia de mercado, e por "riqueza social cristã", um compromisso de defender a família e tratar cada ser humano como tendo uma dignidade inalienável como filho de Deus.

Há longas tensões entre esses diferentes elementos. Por exemplo, Merkel respondeu de forma pouco convincente quando o entrevistador perguntou como era compatível a atitude cada vez mais liberal da CDU em relação à homossexualidade frente ao compromisso cristão com a família.

As vertentes protestante e católica da doutrina social cristã divergem de certa forma. Antes da reunificação da Alemanha em 1990, a CDU era dominada pela tradição católica do Sudeste, com a desconfiança do poder centralizado e sua ênfase nas tradições locais e nas instituições intermediárias. A reunificação significou que a CDU se tornou mais localizada no Nordeste e mais protestante.

Quando Merkel tornou-se chefe do partido, houve murmurações entre a velha guarda contra o "Protestantismo Prussiano". O protestantismo prussiano valorizava a eficiência das burocracias centralizadas e tecnocráticas. A Prússia era o lar da ética baseada no dever de Immanuel Kant. Seu espírito era legal e abstrato. Merkel, filha de um pastor protestante que cresceu na Alemanha Oriental, certamente incorpora algo desta tradição.

As várias partes da composição política de Merkel se uniram no tratamento da crise dos refugiados. A acusação de que ela planeja uma enorme afluência de migrantes através da rota dos Bálcãs para acelerar a transformação multicultural da Alemanha é infundada. Mesmo um de seus críticos mais severos, o jornalista Robin Alexander, mostra em seu best-seller sobre Merkel e a crise dos refugiados, Die Getriebenen, que Merkel foi, por um lado, impulsionada pela força das circunstâncias (o significado do título) e, por outro, por um senso de dever.

Ela se encontrou com o grande medo que os migrantes despertaram na Alemanha com um apelo a convicções morais cristãs profundas. As novas chegadas não eram apenas "massas", disse ela. Foram indivíduos criados à semelhança de Deus. Quanto aos medos sobre o Islã destruindo a cultura cristã da Europa, Merkel disse que a cultura cristã já estava se deteriorando por dentro, como se poderia dizer ao perguntar aos alemães comuns as questões mais simples sobre a teologia cristã. "Se você está preocupado com a preservação da cultura cristã", disse ela, "vá à igreja com mais frequência e leia a Bíblia".

Excelente conselho. Mas o que Merkel negligenciou é que uma das razões pelas quais a prática cristã se deteriorou na Europa do pós-guerra é indiscutivelmente o ideal de democracia pluralista e religiosamente neutro que os democratas-cristãos, como ela, promoveram há muito.

Maritain pensou que uma democracia pluralista com um consenso sobre os direitos humanos levaria ao fortalecimento da religião. Mas este não foi o caso. As sociedades que não reconhecem a realeza social de Cristo tornaram-se cada vez mais seculares. E os pontos de vista da moral - especialmente a moral sexual - divergiram dos ensinamentos da Igreja. Os partidos políticos cristãos, como a CDU, responderam continuamente diluindo seu próprio compromisso com os princípios morais cristãos.

O Papa Francisco admira Merkel, em grande parte, porque parece estar comprometida com a visão pluralista do desenvolvimento global que a Santa Sé persegue desde o pontificado de Paulo VI. A esperança por trás desta política pluralista é que ela fomente paz, cooperação e prosperidade. A Santa Sé procura um mundo globalizado marcado pela solidariedade e pela responsabilidade, em que as diferenças não constituam um obstáculo à harmonia respeitosa.

Mas o risco sempre foi que o pluralismo levaria o cristianismo a diminuir cada vez mais até colocá-lo em uma parte marginal da sociedade, com a Igreja sob pressões cada vez maiores para minimizar seus ensinamentos. Infelizmente, há sinais de que isso já está acontecendo, particularmente quando o ensino moral católico entra em conflito com as atitudes morais seculares. No recente sínodo sobre a família, parecia haver um forte impulso para superar essa divergência ao suavizar a doutrina da Igreja. Mas certamente nenhum ganho em harmonia com a ordem atual das coisas pode justificar o obscurecimento do testemunho da Igreja sobre essas verdades.

Merkel sempre foi adepta de suavizar sua posição para se acomodar à mudança de opinião pública. Um momento decisivo em sua campanha atual veio quando ela relaxou a disciplina do partido para permitir que o parlamento alemão legalizasse o casamento de cassais do mesmo sexo. Os socialdemocratas rivais esperavam usar a oposição do partido de Merkel contra ela na campanha eleitoral. Mas permitindo que a lei passasse (mesmo que ela mesma tenha votado contra ela), Merkel puxou o tapete deles.

Seria interessante ouvir as reflexões do Papa Francisco sobre esse movimento. Ele o veria como um exemplo de covardia moral? Ou ele poderia vê-lo como um assunto secundário que poderia ser reservado em sua busca comum por um futuro pluralista?


Catholic Herald - Tradução: Ramón Lara

*Padre Edmund Waldstein O. Cist é um monge da Stift Heiligenkreuz na Áustria. Ele faz blogs em Sancrucensis e é editor de thejosias.com
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Curar a falta de amor

domtotal.com
O amor não deve ser entendido como mero sentimento – também o é e é bonito –, mas como postura que permite a humanidade se realizar humanamente.
Num jogo capitalista, a falta de amor, camuflada de interesse científico, faz de pessoas sãs, doentes, escondendo onde reside, de fato, a patologia.
Num jogo capitalista, a falta de amor, camuflada de interesse científico, faz de pessoas sãs, doentes, escondendo onde reside, de fato, a patologia. (Divulgação/ Pixabay)
Por Tânia da Silva Mayer*

Estamos todos doentes, quando nos falta amor. Quantas pessoas vivem tristes, deprimidas, amarguradas, angustiadas porque não são capazes de amar e nem de se sentirem amadas! Quando há ausência do amor, adoecemos, minguamos, desumanizamo-nos. O amor nos humaniza porque ele é em nós abertura para o outro, para acolhê-lo em sua realidade, com sua história e a dramática da sua vida. Quando amamos, estamos livres para sermos quem somos, realizando-nos eticamente com os outros com os quais nos relacionamos e convivemos. Por isso, o amor não deve ser entendido como mero sentimento – também o é e é bonito –, mas como postura que permite a humanidade se realizar humanamente.

No entanto, não basta a abertura ao outro para que haja a realização ética. Tal abertura deve cumprir a tarefa de responsabilizar-se pelo “eu” e pelo “outro”. A primeira responsabilidade, necessária e fundamental, é a garantia da vida. Esta deve ser considerada e preservada. Por isso, contrário ao amor é a morte. E não estamos falando apenas da morte definitiva, programada para um dia que não conhecemos, mas que sabemos que acontecerá. Contrário ao amor são todas as mortes que provocamos simbólica, verbal e psicologicamente em nós e no outro. Nesse sentido, não há amor e nem realização ética quando a vida é diminuída e ameaçada. O que há são mortes.

Quando insistimos que uma condição existencial, uma orientação afetivo-sexual, pode ser considerada doença, mesmo quando órgãos respeitados e credenciados afirmam o contrário, é sintoma de que o amor está doente, ou de que as pessoas estão precisando ser curadas da falta de amor. Um passo retrógrado na sociedade brasileira é impedir que o Conselho Federal de Psicologia possa afastar profissionais da psicologia que proponham terapias de reversão para pessoas homossexuais com o objetivo de promover uma re-orientação sexual. A determinação do juiz federal, Waldemar Cláudio de Carvalho, enfraquece um debate antigo, porém esclarecido, de que a homossexualidade não é doença e sim uma variante na sexualidade humana. No fundo, a ideia de re-orientação sexual se ajusta muito bem a concepção de conversão (em sentido religioso?). Converter-se significa, entre outras coisas, mudar a orientação, o caminho, voltar-se para outro lugar, reorientar-se. Num jogo capitalista, a falta de amor, camuflada de interesse científico, faz de pessoas sãs, doentes, escondendo onde reside, de fato, a patologia.

O único remédio para curar a falta de amor é o amor. Por isso, os autores bíblicos insistiram que o Deus de Jesus é apaixonado e amoroso por suas criaturas. Dessa revelação não se pode abrir mão, pois ela afirma que somente esse amor é capaz superar o pecado e vencer os muitos sinais de morte que persistem em nosso meio. Por isso, é urgente testemunhar a abertura ética ao outro, acolhê-lo em sua realidade, bem como ajudá-lo no enfrentamento dos preconceitos e das ignorâncias. Os cristãos e as cristãs serão reconhecidos pelo amor. Que esse amor não nos falte, que não estejamos adoecidos da falta dele, para seguir denunciando tudo o que fere e mata. 

*Tânia da Silva Mayer é mestra e bacharela em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE); graduanda em Letras pela UFMG. Escreve às terças-feiras. E-mail: taniamayer.palavra@gmail.com.
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Pe. Geovane Saraiva

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